O Retrofit
- Leandro Alves

- 7 de jun. de 2024
- 4 min de leitura
O retrofit do Basilio177.
O Basilio177 é o projeto de retrofit residencial mais ambicioso do Brasil. Uma obra única que reforça a identidade cultural paulistana e deixará a sua marca não apenas na paisagem, como também na própria história da capital paulista.
Mas, o que é um retrofit, afinal? Muito além da reforma, trata-se de uma requalificação arquitetônica de construções antigas e/ou históricas, protegendo o design original ao mesmo tempo que promove a ressignificação dos espaços para atender às demandas da vida moderna.
Este conceito é praticado há muito tempo em países da Europa e nos Estados Unidos. Em 1661, o Rei Luís XIV, da França, encampou aquele que seria o primeiro projeto de retrofit da história: a requalificação de uma desprezada propriedade de caça da família real francesa para aquilo que conhecemos hoje como o Palácio de Versalhes.
Nos Estados Unidos, o badalado bairro do SoHo, em Nova York, já foi um distrito abandonado nos anos 1950. Seus prédios baixos, em estilo “cast iron”, outrora ocupados por pequenas indústrias e manufaturas, ficaram fechados por anos até se tornarem reduto de artistas em início de carreira, como Andy Warhol, nos anos 1960/70. Atualmente, suas ruas estão tomadas de lojas de grife e seus apartamentos figuram entre os mais caros da cidade.
Uma jornada de descobertas.
A incorporadora Metaforma reuniu os melhores profissionais e empresas de arquitetura, design, restauração e construção civil para desenvolver o projeto do Basilio177, que ocupará uma área construída de mais de 34 mil metros quadrados, com 24 mil deles privativos.
Foi aceito o desafio de requalificar o edifício histórico e seu anexo, bem como projetar um terceiro volume para compor o condomínio em seu conceito final, oferecendo soluções inovadoras para adequar o complexo a uma proposta de uso contemporânea.
O processo de restauração e ressignificação dos edifícios pré-existentes do Basilio177 foi uma jornada de descobertas e de gratas surpresas. Arquitetos, engenheiros, restauradores e designers encontraram uma qualidade construtiva que não existe mais no mercado imobiliário atual.

Lajes de concreto maciço e com pé direito de cerca de 4 metros de altura, imensas janelas que permitem uma entrada generosa de luz natural e ventilação, áreas de circulação amplas e caixilhos em liga de aço de alta resistência. Além disso, preciosidades como os elevadores, fabricados pela empresa norte-americana Otis Elevator Company, a mesma que forneceu os equipamentos do Empire State Building, em Nova York.
A cargo da Ambiência - Arquitetura e Restauro, o processo de recuperação do edifício foi extremamente minucioso, envolvendo o reconhecimento histórico do prédio principal, o entendimento das materialidades construtivas e compositivas, identificação de todos os danos decorrentes do uso e da passagem do tempo, e uma proposta de intervenção que, em conjunto, buscou valorizar e recuperar a identidade arquitetônica, bem como uma nova formatação que permita a sua reintegração junto à cidade.
A reconversão do uso – de um prédio comercial antigo para outro residencial, moderno – foi
um dos maiores desafios nesta fase da obra. Isso porque foi preciso garantir nesta transição a preservação da identidade do edifício, protegendo todos os elementos que compõem o modelo tipológico que são absolutamente relevantes para a memória paulistana.
Um passeio pelo Basilio177.
A experiência de viver no Basilio177 começa nas diversas configurações de tipologia. O complexo compreende três torres independentes e conectadas. Cada uma delas com tipologias diferentes de apartamentos – entre 35m2 e 200m2, de 01 a 03 dormitórios.
A diversidade que marca o empreendimento foi pensada para atender todas as nuances do estilo de vida contemporâneo e as pessoas conectadas a ele. Pessoas em fases distintas da vida, rotinas e núcleos familiares distintos habitarão simultaneamente o empreendimento, criando uma identidade única e culturalmente viva.
Dois prédios são retrofitados. O terceiro, projetado pela Metro Arquitetos, dialoga com os demais sempre com a preocupação de manter a identidade e a coesão arquitetônica, mesmo tendo sido construído décadas depois.

Internamente, a Todos Arquitetura procurou ressaltar as características próprias da arquitetura do edifício. Neste processo, materiais originais como tacos de madeira e revestimentos de mármore foram reutilizados como elementos estruturais e cenográficos.
Áreas de circulação, novas vistas, valorização da entrada de luz natural, corredores com melhor ventilação, integração de espaços e ampliação do estacionamento existente no subsolo também foram preocupações do projeto, sempre buscando a aprimorar a experiência de uso do ponto de vista do morador.
Coube a 134 office, Estúdio Tarimba, Cardim Arquitetura Paisagística e Projeto Kura Arte definir a programação de cada espaço de uso comum do empreendimento. São salas de coworking, academia de ginástica com serviço de gestão esportiva, ambientes privativos para festas e lavanderia com operação terceirizada (veja mais detalhes a seguir).
Três ambientes se destacam: o food hall, no térreo, com restaurantes, bares e lojas abertas ao público; uma praça privativa e elevada na altura do primeiro andar, com um jardim de espécies nativas da Mata Atlântica ao redor de um lindo jequitibá rosa, árvore símbolo de São Paulo; e a piscina no rootop, com solarium, jardim suspenso e bar, todos com uma vista única do skyline da cidade.



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